domingo, 22 de junho de 2008

O Nazi- Fascismo



O Nazi-Fascismo


Até a Primeira Guerra Mundial o otimismo da “Belle Époque” imperava na Europa, sendo reflexo do pensamento econômico liberal.
Todos acreditavam no desenvolvimento ilimitado do capitalismo. Somente os socialistas se opunham a esse “otimismo liberal”, tendo uma visão pessimista da situação. Segundo eles, as crises do sistema capitalista eram inevitáveis. Os socialistas viam como única solução para os problemas sociais a implantação de uma sociedade onde todos seriam donos dos meios de produção. Isto somente seria conseguido através de uma Revolução.
A Europa do entre guerras era um campo aberto para essas idéias revolucionárias, uma vez que a crise provocava o aumento dos conflitos sociais. Por isso, assistimos no imediato pós-guerra a uma série de movimentos de esquerda, contestadores da ordem vigente. Houve também o fortalecimento da ação sindical.
A situação era de convulsão geral e as sociais dirigentes, assim como as classes médias, se julgavam ameaçadas. Os valores liberais começaram a ser contestados. Os governos mostravam-se impotentes frente às crises econômicas que aguçavam as insatisfações sociais e pauperizavam exatamente aqueles setores da sociedade que mais se agarravam aos valores liberais: as classes médias (pequena burguesia).
Isto ocorreu particularmente na Alemanha e na Itália, onde o liberalismo não se consolidara. Os setores sociais predominantes defrontavam-se com grupos revolucionários que lhes ameaçavam o poder. É, na medida em que a crise acentuava os conflitos sociais, provocando amplo colapso na vida econômica e o avanço da classe trabalhadora, os capitalistas sentiram a necessidade de uma autoridade central forte que agisse de acordo com os seus interesses. Era preciso evitar a Revolução Socialista. Era preciso esmagar as forças militantes das classes trabalhadoras. Foi então que os capitalistas recorreram ao fascismo.



OS FASCISMOS

O surgimento de grupos de extrema direita, compostos por ex-militares, profissionais liberais e estudantes, geralmente desempregados, decorria do empobrecimento que atingia as classes médias com o desenvolvimento da concentração industrial e financeira. Ora, esta concentração também tornava precária a existência dos pequenos comerciantes e industriais, esses grupos formados por uma classe média.
De início, tais grupos se valiam de tentativas golpistas para a conquista do poder. Entretanto, a persistência da crise, podendo levar a uma Revolução Bolchevista, estimulou os setores ligados à grande indústria, aos bancos e às fianças em geral a sustentar os movimentos fascistas. Os capitalistas viram que poderiam fazer uma aliança com os fascistas: estes assumiram o poder financiados pelos empresários e manteriam a ordem. O governo fascista seria a autoridade central forte que, garantindo os privilégios capitalistas, asseguraria a ordem estabelecida. Além disso, o otimismo liberal era coisa do passado e o nacionalismo econômico (tarifas protecionistas) interessava aos capitalistas.
A propaganda fascista devia ser bastante hábil. Os programas dos partidos fascistas eram formados de palavras-chaves socialistas e de acusações contra os “responsáveis” pela crise, com isso buscando atrair os descontentes. A ideologia fascista manifestava-se sobretudo no irracionalismo, no antiparlamentarismo, no nacionalismo agressivo...
Muito embora o fascismo na Itália e o nazismo na Alemanha tenham sido movimentos contra-revolucionários, pois garantiram a ordem capitalista, algo de significativo aconteceu tanto ao Capital bem como ao Trabalho. Em ambos os países uma forte autoridade estatal se impôs aos capitalistas. Em conseqüência, a livre-iniciativa por eles defendida ruiu a por terra, mas seus direitos fundamentais de obter lucros e de propriedade foram garantidos. Quanto aos trabalhadores, tiveram seus sindicatos dissolvidos, seus salários reduzidos e seu dinheiro de greve abolido.
Embora os capitalistas se tenham sentido um pouco limitados, à restrição a mobilidade foi, na verdade, um premio para eles, pois estavam dispostos pagar por uma total proteção contra as exigências do Trabalho.
A economia fascista é a economia capitalista com a mesma necessidade de expansão, a mesma necessidade de mercados, enfim tudo o que caracteriza a corrida imperialista.



AS CONDIÇÕES HISTÓRICAS DO FASCISMO

O entreguerras assinalou a crise da sociedade liberal, sociedade criada desde o início do século XIX com a afirmação do capitalismo. O pós-guerra assistiu ao declínio relativo da Europa como centro Hegemônico mundial, tanto do ponto de vista econômico como político. Os valores liberais (liberdade individual, política!, religiosa, econômica) começaram a ser colocados em xeque pela impotência dos governos frente às crises econômicas, que aguçavam as insatisfações sociais e pauperizavam exatamente aqueles setores da sociedade que defendiam os valores liberais: as classes médias (profissionais liberais, pequenos comerciantes e industriais etc.).
Ao mesmo tempo em que a crise provocava o aumento dos conflitos sociais assistimos no imediato pós-guerra a urna série de movimentos de esquerda, contestadores da ordem vigente. Assistimos também ao fortalecimento da ação sindical, embora o movimento operário se tivesse cindido em duas grandes facções: os Socialistas ou Social-Democratas, marxistas que tinham abandonado o tema da Revolução violenta e aderiram ao jogo político-partidário do Liberalismo: e os comunistas surgidos inicialmente como dissidência socialista e que, sob a influencia da tomada do poder pelos Bolchevistas na Rússia, desenvolviam toda uma atividade voltada para a derrubada dos regimes tradicionais. Os setores sociais predominantes, bem como as classes médias, sentiam-se inseguros frente à situação de convulsão geral por que passava a Europa.
Do ponto de vista intelectual, o otimismo “belle-epoquiano” do pré-guerra foi substituído por um pessimismo. Manifestava-se sobretudo no antiparlamentarismo, no irracionalismo, no nacionalismo agressivo e na proposição de soluções violentas e ditatoriais para os problemas colocados pela crise.
Nos países derrotados, como a Alemanha, ou insatisfeitos com o resultado da guerra, como a Itália, a crise assumiu forma violenta, tomando características nacionais: em ambos os países, o Liberalismo não criara raízes, não havendo tradição parlamentar; também possuíam problemas nacionais latentes. Daí a formação de grupos de extrema direita, compostos por ex-militares, profissionais liberais e estudantes, geralmente desempregados e pertencentes a uma classe média que se degradava socialmente, sensíveis aos temas nacionalistas, racistas e antiliberais. É assim que explicamos o sucesso, na Itália, do Partido Fascista, de Mussolini, no imediato pós-guerra, e o crescimento do Partido Nacional-Socialista, de Hitler, na Alemanha.

A ITÁLIA FASCISTA

A Itália foi o primeiro país a conhecer o fascismo como movimento e como regime.
A Itália terminou a I guerra mundial em situação caótica. As promessas de vantagens territoriais e econômicas não foram concretizadas. As vantagens obtidas nos tratados pareciam insuficientes aos italianos para compensar enormes perdas (650 mil mortos e a Venécia semi-destruída).
A situação econômica geral, depois da Grande Guerra, piorou muito: os problemas normais da Itália, tais como super povoamento e atraso econômico, foram agravados; os esforços militares e industriais foram financiados pela emissão de moeda e por empréstimos de outros países. A dívida para com esses países era enorme e a lira (moeda italiana) ficou desvalorizada com a inflação.
A crise social tomou, pois um aspecto revolucionário, com as multiplicações das greves. O poder político era incapaz de controlar a crise. A burguesia liberal e conservadora sentia-se ameaçada pela revolta social. Por isso decidiu apoiar-se num grupo político reduzido, mas bem organizado e disposto a acabar, pela força, com ameaça revolucionaria: os fascistas.

A TOMADA DO PODER

Os fascistas aproveitaram-se da anarquia reinante para se impor. Em 1920 organizaram expedições punitivas contra as instalações das organizações de esquerda e até sedes sindicais, destruíam tudo, matavam os líderes ou lhes ministravam violentas doses de óleo de rícino. A violência começou na planície do Pó e estendeu-se por toda a Itália.
Foi realizado em 26 de outubro de 1922 a famosa “Marcha sobre Roma”, quando cerca de 50.000 “Camisas Negras” desfilaram pela capital e exigiram a entrega do poder. O rei Vítor Emanuel III, pressionado por militares e pela alta burguesia, convida Mussolini para ocupar o cargo de primeiro ministro.
O Governo manteve as aparências de uma monarquia parlamentarista, mas Mussolini detinha plenos poderes. Nas eleições de 1924, os fascistas obtiveram 3/4 dos votos da nação e a maioria das cadeiras no parlamento. Na abertura da primeira sessão parlamentar, o líder socialista Giacomo Matteotti pronunciou um discurso contra os métodos fascistas e as fraudes eleitorais nas eleições de 1924. Em seguida, foi assassinado, bem como todos aqueles que ousaram opor-se ao regime.
A 3 de janeiro de 1925, Mussolini anunciou o estabelecimento de um regime totalitário de governo, a oposição foi eliminada. A constituição foi reformada. O primeiro ministro era o único responsável perante o rei.
Mussolini, chefe do partido, o DUCE, tornou-se o ditador absoluto da Itália.
Os sindicatos são enquadrados, a greve é proibida, estabelece-se o corporativismo baseado na carta “Del Lavoro" de 1926, a pena de morte é restaurada e milhares de pessoas são condenadas a prisão, exilados e mesmo executados.
Em 1928, Mussolini assina um acordo com a igreja católica, pondo fim à “questão romana" que perdurava desde a unificação italiana (1870). Pelo Tratado de Latrão, assinado com o papa Pio XI, cria-se o Estado do Vaticano, a religião católica torna-se obrigatória nas escolas italianas.
Durante a década de 30, o Parlamento é suprimido e substituído por uma câmara fascista (1939), completamente domesticada. A educação é totalmente controlada, assim como os meios de comunicação. Paralelamente, a intervenção estatal na economia aumenta, incrementando a indústria bélica.
Militariza-se o país, inicia-se a escalada expansionista (Albânia, protetora em 1925 e ocupada em 1939. Guerra da Etiópia, 1935/ 36).
O país se aproxima da Alemanha Nazista assinando, em 1939, com Hitler, o "Pacto de Aço".

A ALEMANHA NAZISTA

Em nenhum momento devemos duvidar que o fim da Primeira Guerra tenha alguma ligação com o quadro com que se instalou na Alemanha, de modo particular, com as imposições do Tratado de Versalhes. Humilhada econômica e socialmente com o Tratado, a Alemanha acabaria sendo um campo fértil para a propagação da ideologia fascista alemã (nazista).
É nesse contexto que diante de incertezas diante do seu futuro, uma elite alemã aproxima-se de Hitler e do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (Partido Nazista). E é nessa aproximação que Hitler e seu partido vão ganhando força até chegar ao poder e implantar suas idéias. Assim como os fascistas italianos, os nazistas defendiam: o totalitarismo, o nacionalismo extremado, o militarismo, o unipartidarismo, a crença de que seu líder era infalível, rejeição ao comunismo, a democracia e ao liberalismo. O nazismo acrescentou a tese de superioridade da raça ariana, na qual os alemães seriam os mais puros representantes.
Em 1923, os fascistas alemães tentam dar um golpe (putsch de Munique) para alcançar o poder, porém, Hitler é preso e condenado à prisão, é nesse momento que ele escreve o livro Mein Kampf (Minha Luta), no qual iria expor as principais ideologias do nazismo. Decidindo chegar ao poder por outra via, a eleitoral, os fascistas vêem crescer sua posição no governo. Nas eleições de 1930 conseguem eleger mais de cem deputados; nas eleições de 1932, Hitler concorre à presidência e é derrotado.Em 1933, o presidente Hindemburg, pressionado por setores militares e o empresariado, acreditam poder controlar Hitler e o nomeiam para ocupar o cargo de Chanceler.
Em 1934 com a morte do presidente Hindemburg, Hitler passa a gozar do título de Führer, chefe inconteste. O incêndio provocado pelos nazistas no prédio do Parlamento, com responsabilidade atribuída aos comunistas, possibilitou o reforço do poder pessoal de Adolf Hitler.
O processo de nazificação alemã seguiu no mesmo ritmo que o fascismo italiano.
Em pouco tempo, o Partido Nazista passa a exercer o controle sobre quase todas as atividades econômicas, políticas e culturais da Alemanha. A educação e os meios de comunicação deveriam ajustar-se as ordens do "grande líder". A bandeira da república foi substituída pela do partido, cujo símbolo era a suástica.
A política externa nazista respondeu às necessidades de expansão do grande capital alemão, caracterizou-se por uma tônica agressiva, iniciando a escalada que conduziu à 2ª Guerra Mundial.

Revolução Mexicana

INTRODUÇÃO

Chama-se Revolução Mexicana o movimento armado, social e cultural iniciado no México em 1910 por causa da ditadura do general Porfírio Díaz e que culminaria oficialmente com a promulgação de uma nova constituição sete anos depois. Ainda que os surtos de violência continuariam até finais da década de 20. A luta armada começou depois da fraude eleitoral perpetrada em 1910 pelo general Porfírio Díaz Mori, que se tinha mantido de maneira que se ininterrupta na presidência do México desde 1876.

O movimento teve grande impacto nos círculos operários, agrários e anarquistas a nível internacional pois a constituição de 1917 foi a primeira no mundo a reconhecer as garantias sociais e os direitos coletivos dos trabalhadores.

A Revolução

Em 1876, o general Porfírio Díaz, através de um golpe militar, assumiu o poder do país, implantando um governo pessoal que se estendeu até 1911. Durante esse período deu-se a consolidação do capitalismo agrário – exportador no México, onde as imensas propriedades rurais pertenciam a empresas estrangeiras, ou seja, os norte-americanos, tornando-se portanto dependente deste capital.
A presidência de Díaz se caracterizou por impulsionar a industrialização e pacificação do país a custa da exploração das classes camponesa e operária. Os pequenos proprietários e os índios, por causa das grandes propriedades, tiveram suas terras tomadas, e viviam sendo atemorizados pelos índios, por causa das grandes propriedades, tiveram suas terras tomadas, e viviam sendo atemorizados pelos Rurales (força militar).
Além dos Rurales o governo de Díaz tinha o apoio da igreja, dos norte-americanos, do exército mexicano e de um grupo conhecido como científicos. É interessante que, a ideologia deste grupo estava pautada no Positivismo (defendia a concepção de que somente um governo autoritário poderia assegurar o ordem necessária ao progresso) que além de apoiar o autoritarismo era favorável aos investimentos estrangeiros.
Durante o governo Díaz, o México se integrou cada vez mais ao capital norte-americano, que terá a sua penetração no país, controlando, a exploração dos recursos minerais, das ferrovias e das atividades financeiras.
A concentração da propriedade rural, a miséria dos camponeses, a expropriação das antigas terras de uso comum por parte das comunidades indígenas, a insatisfação da burguesia industrial e dos grupos médios levaram a um movimento revolucionário, em 1910, contra o porfiriato.
Nas eleições de 1910, Díaz teve como adversário Francisco Madero, um rico empresário, educado no estrangeiro que simpatizava com as reformas sociais que, fazia vários anos, eram promovidas por intelectuais como Antônio Horcasitas ou os irmãos Jesus e Ricardo Flores Magón.
Apesar de originário de uma família de latifundiários, Madero passou a liderar a pequena burguesia urbana, nacionalista, que organizou o movimento “Anti-Reeleicionista”. Perseguido, foi forçado a exilar-se e tornou-se o símbolo da luta contra a ditadura para as camadas urbanas, inclusive o proletariado.
Com Madero exilado, Díaz pode reeleger-se novamente a Presidência da República em 1910.
Exilado em San Antonio, no Texas, Madero redigiu o Plano de São Luís no qual convocava um levantamento armado que deveria ter inicio a 20 de novembro de 1910 às 18:00 horas. Adicionalmente, o plano declarava nulas as eleições de 1910, não reconhecia o governo de Díaz, nomeava Madero presidente provisório, restituía aos indígenas as terras que se lhes tinha apreendido mediante a lei de baldios e estabelecia o principio de não reeleição para os postos políticos no país.
Diversos rebeldes e caudilhos populares responderam ao chamamento mas nunca formaram um movimento homogêneo nem compartilharam os mesmos ideais. É dentro desse contexto que se insere o movimento revolucionário liberado no sul, por Emiliano Zapata, e ao norte, por Pancho Villa. Nas cidades o movimento popular era constituído pelos operários das fábricas, pelos trabalhadores das ferrovias e pelos portuários. A agitação incluía a criação de sindicatos, a organização de greves a luta por direitos trabalhistas, passeatas de protesto, conflitos com forças da Polícia e do Exército.
A 20 de novembro de 1910 se levaram a cabo treze de confrontos em Durango, São Luís Potosí, Veracruz e Chihuahua. A luta contra o exército federal se estendeu por todo o país mas durou pouco, pois o presidente Díaz renunciaria cinco meses depois.
Depois da renúncia de Díaz, em 1911, a presidência foi entregue à Madero.

O período governamental de Francisco Madero foi marcado por crescente instabilidade em conseqüência:
· Da pressão norte-americana;
· Da pressão de forças contra-revolucionárias internas ligadas ao deposto governo porfirista;
· Da pressão dos setores populares, sobretudo camponeses, exigindo a imediata aprovação de uma legislação trabalhista.
O efêmero governo maderista tinha sido incapaz de pacificar o país e os caudilhos enforcaram a luta contra o novo governo.
Em novembro de 1911, Zapata define o Plano de Ayala, propondo a derrubada do governo de Madero e um processo de reforma agrária sob controle das comunidades camponesas. O plano defendia a reorganização do ejido, a expropriação de um terço dos latifundiários mediante indenização e nacionalização dos bens dos inimigos da revolução. A existência de um exército popular organizado e armado era visto como um ameaça pelo novo governo, pela velha elite e pelos EUA. O avanço popular era contínuo, pois apesar das mudanças no governo, as estruturas sócias econômicas permaneciam sem alterações.
Em 1913 Madero foi desposto e assassinado, assumindo o poder Vitoriano Huerta. Ele foi apoiado pela aristocracia latifundiária que via em Huerta uma oportunidade de restabelecer o sistema de Díaz.
Apoiado pelos porfiristas, somente fez crescer as lutas camponesas onde os líderes locais redigiram esforços para a luta contra o governo.
A pressão dos Estados Unidos, que culminaria na ocupação de Veracruz após o incidente de Tampico, em combinação com as ações dos rebeldes, acabariam por levar à queda de Huerta.
Apoiado pelos revolucionários, Venustiano Carranza chega ao poder com proposta de elaborar uma nova Constituição, de conteúdo liberal e reformista.
O governo Carranza adotou uma série de medidas para consolidar as estruturas políticas: promoveu intenso combate às forças populares tanto no sul como no norte do país, adotou medidas nacionalistas que levaram a nacionalização do petróleo ao mesmo tempo em que fez concessões às grandes empresas norte americanas e organizou uma Assembléia Constituinte (excluindo a participação camponesa).







Com a redução da pressão norte-americana, devido o seu envolvimento na Primeira Guerra Mundial, o governo Carranza pode aprovar a nova constituição em 1917, que apresentava os seguintes pontos:

· O ensino laico;
· A expropriação de terras;
· Fixava as relações entre capital e trabalho, como por exemplo, a jornada de 8 horas;
· Restringiu o poder da Igreja;
· Secularização do clero.

A constituição de 1917, em parte, serviu para desmobilizar os camponeses, fato que contribuiu para o assassinato do líder agravista Zapata. Seu desejo de pacificar o país provou ser mais forte do que sua habilidade para solucionar os problemas que tinham dada origem à violência, assim que, um a um, foi assassinando os rebeldes do movimento.
Apesar de se ter tornado presidente Carranza não conseguiu conter as insatisfações de diversos grupos sociais saturados por vários anos de guerra. Já no ano de 1919, seu governo mostra-se insustentável, perdendo apoio de empresários, operários e até de seu próprio exército para o general Obregón, que após o assasinato de Carranza, elege-se presidente.
O governo de Carranza durou pouco e após sua morte em 1920, Álvaro Obregón assumiu o poder e demonstrou não só ser um hábil militar, pois terminou de pacificar a maior parte do país, senão um hábil político que fomentou a criação e ao mesmo tempo se fez o apoio de múltiplos sindicatos e centrais operárias. Foi sucedido pelo também general Plutarco Elias Calles, que promoveria algumas leis anticlericias que provocariam a Guerra Cristera e fundaria o partido revolucionário Institucional (PRI), que se manteria na presidência da República por mais de setenta anos. Ainda que a reeleição estivesse expressamente proibida pela constituição de 1917, Obregón conseguiu fazê-lo em 1928 mas foi assassinado por um extremista católico antes de tomar posse do cargo.
Com a eleição de Lázaro Cárdenas (1934 – 1940), em meio à crise econômica mundial, responsável pelo enfraquecimento dos Estados Unidos e pelo agravamento das causas que levaram à Segunda Guerra Mundial, a sociedade pode acelerar sua Revolução. Foi um momento histórico de acelerada modernização do país. Contudo, a burguesia mexicana acabou renunciando a muitas das suas conquistas.

sábado, 7 de junho de 2008

6 DE JUNHO DE 1944, O DIA QUE MUDOU A HISTÓRIA


6 DE JUNHO DE 1944, O DIA QUE MUDOU A HISTÓRIA

No dia 6 de junho de 1944, a expressão “Dia D”, que já era conhecia no meio militar, ganhou um novo significado que ficou para a história denominando o que considero como a maior e mais ambiciosa batalha da Segunda Grande Guerra, a Operação Overlord.
Esta operação ficou marcada como o maior assalto anfíbio da história, inaugurando a fase conclusiva da guerra, se iniciou então uma segunda frente ofensiva em busca da libertação da Europa, já tomada em parte pela Alemanha Nazista de Hitler.
Contudo, foi com a invasão alemã a França que Hitler teve seu grande triunfo ampliando ainda mais seu território. Isto fez com que o primeiro ministro inglês Winston Churchill se preocupasse mais com a investida alemã, buscando assim uma articulação tanto com Stalin quanto com Roosevelt, que já vinha prestando ajuda de todos os modos a Grã-Bretanha.
Para a Operação Overlord, fora elaborada uma Grande Aliança, também chamada de Estranha Aliança pelas diferenças e desconfianças que marcavam as três nações aliadas: EUA, Inglaterra, Canadá mais a URSS. Esta Estranha Aliança caracteriza o “Dia D” como o único marco na história que pode reunir ainda que temporariamente capitalismo e comunismo em uma mesma operação militar.
Comandados pelo General Dwight David Eisenhower, as tropas aliadas formadas pelas forças armadas dos EUA, Inglaterra e Canadá, desembarcaram em cinco praias na Normandia, denominadas pelos aliados como Utah, Omaha, Gold, Juno e Sword à noroeste da França, nas quais encontraram diferentes níveis de dificuldade. O local escolhido e o tempo pegaram os alemães de surpresa, porém em Omaha, as tropas da Wehrmacht (Forças Armadas Alemães), já estavam por trás da grande Muralha do Atlântico, onde ofereciam uma maior resistência, causando um congestionamento de anfíbios na praia dificultando o movimento de manobra.
Mesmo com a estimativa de 10.000 baixas aliadas e 9.000 alemães, só no “Dia D” quase 175.000 soldados aliados haviam entrado na Normandia, daí por diante, acontecera uma invasão nunca vista antes que praticamente junto com a primeira frente russa definiu a Guerra, já não havia como o Eixo reverter à situação, o “Dia D” tinha obtido o sucesso e por sua vez, o famoso dia 6 de junho de 1944, ficara para a história como a maior operação de guerra até então realizada.
Na terça feira dia 6 de junho de 1944, teve início a faze conclusiva da Segunda Grande Guerra, durante a guerra, as praias normandas foram o portão de entrada para aproximadamente 3,5 milhões de soldados aliados, que desembarcavam a bordo de 1,2 mil navios de guerra, 1,6 mil navios mercantes, 13 mil aviões e 4 mil veículos de assalto, todos administrados pelo Comandante Supremo da Força Expedicionária Aliada, general Dwight David Eisenhower.
Por fim, a partir desta grande batalha, podemos entender através de uma análise crítica à vocação boçal do homem de produzir meios para sua própria destruição, fica ilustrado na grandiosidade da Operação Overlord todo o “poderio boçal bélico” que o homem pode produzir em apenas um dia. O “Dia D”, foi o álamo, a batalha mais ambiciosa da Segunda Grande Guerra, assim, o dia 6 de junho de 1944 entrara para a história.

Fagner Dantas

quinta-feira, 15 de maio de 2008

MAIO DE 2008, A CONTRACULTURA AINDA VIVE?


MAIO DE 2008, A CONTRACULTURA AINDA VIVE?

Era uma vez, jovens com todas as condições possíveis para se confortarem em suas sociedades liberais, jovens que não precisavam sentir nenhuma ânsia, nenhum repúdio ao verem pequenos países serem massacrados covardemente por super potências em guerras sem sentido algum, porém, estes jovens não se calaram e como uma epidemia mundial, inocularam suas sociedades para amplificar as vozes das minorias, contestando e criticando, construindo movimentos, comunidades, drop-outs em Hash-bury, hippies e beatniks, punks ou new waves, era a new left surgindo na década de 60.

O ano de 1968 teve uma importância impar em meio a todo este contexto, do lado americano, sérios problemas internos estouravam pelas cidades que pareciam ingovernáveis, sobretudo no mês de maio deste mesmo ano, a contracultura vinha em oposição ao conformismo social americano, vários movimentos alternativos ganharam ênfase como os movimentos hippie, negro e o feminista, o grito das minorias era amplificado e espalhado por diversas partes do mundo, desde as “gerações douradas” em seus campus universitários, até mesmo no Brasil representado pelo Movimento Estudantil contra o regime militar.

Todos estes movimentos do mês de maio estavam em grande parte atrelados aos acontecimentos vindos do Vietnã, sobretudo em janeiro com a ofensiva do Tet (ano novo lunar vietnamita), quando a Frente de Libertação Nacional (FLN), organizada pelos soldados comunistas vietcongs do Vietnã do Norte atacaram o Vietnã do Sul, provando a impossibilidade de uma vitória americana.

Daí para frente, em retaliação ao pequeno país, intensificou-se o uso de armas químicas como o napalm, além de bombardeios maciços e massacres a civis.

Passa-se então, a partir de janeiro de 1968 com a agressiva ofensiva do Tet e os movimentos de contracultura em maio deste mesmo ano, a uma conversão do pensamento americano e esta conversão tem como forma de atos de rebeldia de uma parte do povo que tem noção desta falta de sentido que a Guerra do Vietnã toma.

O exemplo então se espalhava por todo o Ocidente, ocupações a universidades se repetiam por todo o mundo, as lutas pela igualdade racial e feminista avançavam a medida que os manifestos tomavam conta da sociedade.

Contudo, apenas analisar o fato histórico, tanto quanto relembrar datas não é o objetivo deste texto, o que queríamos, era construir uma relação entre jovens da década de 60, com nossos jovens de hoje, será que para defendermos objetivos de minorias atiraríamos fora nossas medalhas do ego? Será que em meio a nosso sistema individualista sobraria alguma forma de socializar sentimentos, objetivos? Estes iconoclastas da década de 60 deixaram para alguns o sentimento de mudança, mesmo que por utopia, mas a vontade de reconstruir padrões prevalecia em meio de seus movimentos e grupos.

Fica então o triste contraste para com os representantes de nossa geração, pois em geral, muitos não estão nem preocupados em atuar nos grêmios de suas escolas, quanto mais a contestar seu sistema excludente e elitista ao qual estão envoltos, haja vista, que estes só se dão conta ao se depararem com o mercado que os espera, porém a esperança ainda vive em poucos, pois como diria um revolucionário latino: podem acabar com algumas flores, mas sempre haverá outra primavera.

Fagner Dantas

BIBLIOGRAFIA

· HOBSBAWM, Eric. Era dos Extremos: o breve século XX: 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

· VIZENTINI, Paulo G. Fagundes. “A Guerra Fria”: In: FILHO, Daniel A. Reis; FERREIRA, Jorge & ZENHA, Celeste. O século XX. O tempo das crises. Vol. 2. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001.

· PAMPLONA, Marco A.. Revendo o sonho americano: 1890-1972. São Paulo: Atual Editora, 1995.

domingo, 27 de abril de 2008

Revolução Nicaraguense

Revolução da Nicarágua



Pré-Revolução

A História da Revolução da Nicarágua, em seu início, se confunde com a vida do general-guerrilheiro Augusto César Sandino.
Influenciado pelas greves de princípios nacionalistas, Sandino aprendia sobre o que é defender uma nação em sua viajem pelo México.


Situação político-social

De volta em 1926, começou a trabalhar numa fazenda de donos estadudinenses, onde começou a regimentar pessoal para o movimento revolucionário. Sua principal visão era a divisão de terras e riquezas por todos os nicaragüenses e expulsão dos fuzileiros americanos de terras nicaragüenses. A Nicarágua encontrava-se nas mãos americanas, com regalias cedidas a eles. A ajuda dos fuzileiros na independência da Nicarágua, fizeram-os achar que haveriam regalias e que terras nicaragüenses eram terras amigas.


Revolução

A guerra era inevitável, acontecendo e se enquadrando em fugas para as montanhas antecedidas de ataques surpresas, numa espécie de “guerrilha”, quando os americanos concordaram sair do país mediante rearranjos no poder político. Acontecendo isso em 1933, foi montada a Guarda Nacional que foi treinada pelos os mesmos estadudinenses que saíram da Nicarágua. A Guarda Nacional tinha como chefe Anastázio Somoza, o mesmo responsável por assassinar em 1934 Augusto César Sandino, numa emboscada.
Em 1936 Somoza dá um golpe e assume o poder na Nicarágua dando início a Dinastia Somoza que vai até 1979.
Após anos de ditadura Somoza, 1960 é reaceso o sonho Sandinista. Influenciada claramente pela Revolução cubana de 1959, a FSLN (Frente Sandinista de Libertação Nacional) que veio a fazer frente com o Partido Conservador que era totalmente pró-im perialismo americano.
Este momento foi marcado pelo aspecto de conscientização da população (também estudantes e intelectuais) que se reuniram em sindicatos; a JPN (Juventude Patriótica Nicaragüense) foi formada. Em 1967 a FSLN se tornou o principal canal do povo na luta armada contra o Somozismo.
O governo de Somoza enfraquecia-se progressivamente, quando 1978 o jornalista Pedro Chamorro que comandava o maior jornal do país em oposição ao regime foi assassinado amando de Anastázio. Os EUA tiraram seu apoio, houve uma insurreição popular que levou uma junta provisória ao poder. Em 1984 foram feitas as primeiras eleições livres depois da vitória da revolução, vencendo Daniel Ortega, líder da FSLN.
A FSLN conseguiu uma administração, nos seus 11 anos no poder, de verdadeiro socialismo: de 52% abaixou-se para 12% da população analfabeta. Conseguiu-se se evidenciar uma reforma agrária; a educação fortificou-se a vinda de professores da França, Alemanha.


Permanências

Somoza fugiu e foi assassinado no Paraguai. A Guarda Nacional que fora expulsa do país, se armou e se agrupou em Honduras com apoio e treinamento americano e argentino. Os “Contra” foram responsáveis por uma guerra contra-revolucionária que deixou mais de 50 mil vítimas e desgastou os sandinistas minando seus portos e em ataques relâmpagos. Em 1990 os sandinistas foram derrotados nas urnas, Violeta Chamorro, mulher do jornalista assassinado assim ia ao poder, dando fim à hegemonia sandinista.


Referências:
OLIC, Nélson Bacic. Geopolítica da América Latina. São Paulo: Moderna, 1992.
BRUIT, Héctor H. Revoluções na América Latina. São Paulo: Atual, 1988.
PRADO, Maria Ligia. A formação das nações latino-americanas. São Paulo: Atual, 1987.
SADER, Emir. Socialismo na América Latina. São Paul o: Atual, 1992.

Os vários periodos ditatoriais no Chile

Ditaduras no Chile

· Após a independência em 1818, o poder no Chile foi exercido por meios ditatoriais.

· No ano de 1891, em decorrência de divergências políticas, atuações reformistas,e conflitos entre facções políticas da elite, foi instalado no Chile uma República parlamentar, que duraria até 1925.

· Nos anos de 1920, ditaduras e reformismos predominaram nos governos chilenos.

· Até o final da Segunda Guerra Mundial destacaram-se no Chile governos de frente popular, que reunia liberais, comunistas e socialistas.

· Em 1947, com o início da Guerra Fria, o governo do presidente Gonzáles Videla, rompeu com a URSS, expulsou membros comunistas do congresso e baniu o partido comunista.

· Em 1952, os conservadores retornaram ao governo, vencendo eleições presidenciais. Foram derrotados em 1964 por Eduardo Frei, do Partido Democrata Cristão(PDC).

· No final dos anos 1960, os opositores de esquerda (comunistas, socialista, democratas) estavam reunidos na Frente de Ação Popular, enquanto o governo do PDC congregava o apoio dos grandes proprietários rurais e empresários urbanos.

· Nas eleições de 1970, os opositores formaram a União Popular e conseguiu eleger seu candidato à presidência, o socialista Salvador Allende. Suas iniciativas esbarraram nos interesses das poderosas elites nacionais, que apoiadas pelos Eua elas atuaram para desestabilizar o governo de Allende até a sua derrubada.

· Em 11 de setembro de 1973, o general Augusto Pinochet, depõe o presidente Salvador Allende, num violento golpe militar.

· O governo ditatorial de Pinochet, dissolveu os partidos políticos , implantando forte repressão, com tortura e assassinato aos opositores, tendo como resultado dessas ações milhares de mortes. O apoio norte-americano e inglês, aliada a política econômica neoliberal adotada por Pinochet, propiciou um elevado crescimento das taxas econômicas.

· Em 1980, Pinochet, através de um plebiscito conseguiu aprovar uma nova Constituição, que prolongava por dez anos o seu mandato. A popularidade de Pinochet se baseava na economia.

· A partir de 1983, no entanto, Pinochet começou a enfrentar as “jornadas de protesto”

· No dia 7 de setembro de 1986, o ditador escapou ileso de um atentado promovido pela Frente Patriótica Manuel Rodríguez (FPMR) .

· Diante do aumento da pressão o general foi obrigado a iniciar a transição para a democracia.Ainda tentado manter-se no poder, é realizado uma consulta popular em 1988, para se dizer se o povo ainda o queria no poder por mais dez anos. Porém ele é derrotado.

· No ano seguinte, seu candidato, Hernán Bucchi, perde as eleições presidenciais para o democrata cristão Patrício Aylwin .

Ditadura de Pinochet.

Com a eleição do primeiro presidente socialista no mundo ocidental, foi instalada uma preocupação principalmente por parte do EUA que em plena guerra fria, tinha receios de que o Chile se tornasse uma “nova Cuba” na América Latina.


Em 4 de setembro de 1970, Salvador Allende foi transformado no primeiro presidente socialista eleito no ocidente. Seu governo teve muitos altos e baixos, principalmente no lado econômico.Em seus dois primeiros dois anos , o governo Allende devido a nacionalização da economia e outras políticas proporcionou um aumento incrível da economia do país, o Chile durante os primeiros anos do governo de Allende teve taxas de crescimento econômica de 7 % ao ano.Devido a política de nacionalização da economia o governo Allende gerou uma alta insatisfação por parte da contrariada elite conservadora. Porém esse crescimento deu lugar a um período de grande caos econômico, e social devido em parte ao Movimiento de Izquirda Revolucionário (MIR) e pela extrema direita vinculada aos americanos, tal caos gerou os condicionantes ao futuro golpe.


Dada a situação de crise,em 23 de agosto de 1973 o General Carlos Prats se demite. O presidente Allende então designa Augusto Pinochet para o cargo de Comandante do Exercito, com o pensamento de que seria ajudado a reverter a situação de crise.Porém no dia 11 de setembro, apoiado por 60 mil homens das forças armadas e 30 mil carabineros(a policia chilena). O novo homem de confiança de Allende, cerca e bombardeia o Palácio de La Moneda sede do governo.Vista a situação de que fora traído e estava prestes a morrer o Presidente Allende faz um declaração no rádio e na televisão para todo o Chile, foi a ultima vez que foi visto vivo, pois, este suicidou-se no palácio de La Moneda com um tiro na cabeça.


Três dias após o golpe militar Pinochet,mandou fechar o Congresso. No dia 30 de setembro,anunciou que a presidência da junta militar seria exercida sucessivamente pelos comandante da Armada, da Força Aérea e dos carabineiros. Contudo meses depois Pinochet foi neutralizando a influência de seus companheiros de golpe até que assumiu com pulso firme o governo. Em 20 de junho de 1974, autoproclamou-se chefe supremo da nação e, em 16 de dezembro, publicou um decreto que o transformou em presidente.


Para assegurar o poder Pinochet dissolveu os partidos políticos,estabeleceu a censura e instalou a carnificina.Em 15 de junho de 1974, foi ordenada a matança com a criação da Direção de Inteligência Nacional(DINA), a policia política encarregada de combater a subversão. Resultado das ações da Dina foram milhares de mortos. No intuito de levar a caçada aos partidários allendistas e comunistas a outros a paises ,Pinochet cria uma ligação com outros governos militares vizinhos para eliminar os ativistas de esquerda.União essa entre as ditaduras militares na América conheçida como “Operação Condor”.


Em 1980,a partir de um plebiscito,Pinochet consegue aprovar um nova Constituição na qual prolongaria por mais dez anos se mandato.Esse apoio popular se baseou no lado econômico, pois devido a sua política neoliberal , e também devido ao apoio norte americano, Pinochet conseguiu um crescimento de 7% ao ano no Chile.


A partir de 1983 o ditador se viu diante de uma onde de protestos,movimentos revolucionários de libertação,atentados. Em 1986 o ditador escapa ileso de um atentado realizado pelo Movimento de Esquerda Revolucionário, diante da pressão o ditador é obrigado a iniciar a transição para a democracia, mas não sem antes tentar ainda manter-se no poder, em 1988 é realizado uma consulta popular, no intuito de se escolher se o povo chileno iria querer que Pinochet ficasse como presidente por mais dez anos, Pinochet é derrotado. No ano de 1989 o candidato apoiado por Pinochet Hernán Bucchi é derrotado nas eleições presidenciais para o democrata cristão Patricio Aylwin.
Mesmo fora da presidência Pinochet não largou o poder,continuou como comandante do exército,e mesmo com vários processos contra ele, realizados pelos governos posteriores ao seu ,ele não foi condenado pelos seus crimes durante o seu período de ditador, pois, foi muitas vezes resguardado por leis e decretos que ele mesmo havia criado. O ditador ainda hoje é processado por vários crimes, mas ainda não foi condenado pois seus advogados alegam a sua demência.

A revolução Cubana e seus precedentes

Revolução de Cuba

A Independência de Cuba

Cuba apesar de ter sido uma das primeiras colônias espanholas na América, foi uma das últimas a conquistar sua independência em relação à Espanha. No final do século XIX, uma grande revolta popular exigia a independência de Cuba sob a liderança de José Martí; empresários dos E.U. A percebendo que uma mudança política em Cuba poderia trazer benefícios aos E.U. A decidiram ajudar os cubanos a conquistar a independência e declaram guerra à Espanha, que por ser na época um país decadente e lutar muito longe de casa não resistiu ao poderio militar americano e perdeu a guerra em 1898.


A presença dos E.U. A.


Após a derrota da Espanha, tropas americanas desembarcaram em Cuba para garantir a o novo governo independente, mas o novo governo de Cuba era formado por proprietários exportadores de açúcar e tabaco, ou seja, a elite cubana, como quase todo o comércio externo (importação e exportação) de Cuba era realizado com os EUA, o novo governo passou a facilitar todos os investimentos dos norte-americanos em Cuba. Nesse sentindo percebemos que os interesses da elite cubana estavam relacionados aos interesses dos empresários norte-americanos, o que acabava por tornar Cuba num lugar bom para se viver apenas para os dirigentes locais e não para a maior parte da população.
Quando um governante atrapalhava os interesses norte-americanos em Cuba, os E.U. A enviavam tropas para “restaurar a normalidade democrática” e colocar no poder um presidente cubano confiável.



A emenda Platt

Em 1901, um senador americano chamado Platt criou uma emenda para a constituição de Cuba, essa emenda determinava que os E.U. A tinha o direito de invadir Cuba a hora que quisessem para “normalizar a situação política”.


A ditadura de Fulgêncio Batista


Um dos homens de confiança dos E.UA foi o ditador Fulgêncio Batista, que em 1934 deu seu primeiro golpe de Estado, a partir de então passou a ser o homem forte do país, em 1952 percebendo que seria derrotado nas eleições presidenciais deu um novo golpe de Estado e tornou-se ditador.
Durante a ditadura de Fulgêncio a condição de vida do povo cubano (desemprego, camponeses pagando renda e vivendo sob ameaça de expulsão de suas terras, precária situação sanitária, entre outras mazelas que afetavam diretamente o povo) e o fato de quase toda a riqueza de Cuba estavam nas mãos de poucas famílias nativas e empresas norte-americanas instaladas no país, enquanto milhões de cubanos alimentavam-se mal, moravam em barracos e viviam de empregos temporários, incitou um grupo de jovens liderados por Fidel Castro, que nesse cenário marcado por intensa desigualdade social iniciou uma luta contra o ditador Fulgêncio Batista, como veremos a seguir.

A pequena notável

Cuba foi uma rica colônia espanhola, a primeira produtora mundial de açúcar e de tabaco. No final do século XIX, uma grande revolta popular alastrou se pela ilha, exigindo a independência nacional. Muitos cubanos consideravam-se humilhados pelas atitudes norte americana. Ou seja, cuba existia para que os nortes americanos ganhassem dinheiro e se divertissem.
Até que em 1953 alguns jovens patriotas liderados pelo jovem advogado Fidel Castro começaram-se a se organizar para promoverem a derrubada do regime ditatorial de Batista. Um dos seus primeiros atos foi a tentativa frustrada da tomada do quartel de Moncada, o segundo maior do país. Frustrada principalmente pela inexperiência do grupo, enfim foram todos capturados e presos, alguns executados.
Numa tentativa de tornar a opinião publica favorável o seu regime, Batista promoveu o julgamento dos lideres do movimento, entre eles Fidel Castro. Fidel, já se antecipando a provável condenação tomou para si a própria defesa e ai sim conseguiu da um duro golpe ideológico nas lideranças nacionais. Ao invés de defender-se, Fidel Castro denunciou os abusos cometidos pelo atual regime e atacou a entrega de seu país e seu povo aos nortes americanos, além de explicar toda onda revolucionária e o que ela pretendia. Mas seu julgamento ficaria famoso por seu encerramento: Fidel Castro já certo de sua condenação disse a seguinte frase, que posteriormente tornou-se o símbolo de sua revolução, “Condenem-me, mas a história me absolverá”.
Em uma nova tentativa de ganhar opinião publica e também achando que a onda revolucionária tinha se dissipado Batista promoveu uma anistia geral e condicional. Pondo dessa forma os lideres da revolução Mancada em liberdade. Estes por sua vez sabendo do risco que corriam em seu país, já que o serviço secreto americano andava em seus calcanhares, foram para o México e retomaram o processo revolucionário. Agora contavam com a ajuda dos outros partidos de seu país, o diretório revolucionário e o partido socialista popular, e do jovem médico e idealista argentino Ernesto “Che” Guevara, que daria um suporte ideológico a revolução.



O desembarque do Gramma

Em 1956, Fidel e seus companheiros retornaram a Cuba a bordo de uma pequena embarcação com um número contido de guerrilheiros, 82 no total, tentando usar o elemento surpresa a seu favor e a coordenação com os grupos revolucionários ainda existentes na ilha. Mas mais uma vez a falta entrosamento e algumas circunstâncias naturais fizeram que este novo plano fracassasse. Das 82 pessoas que desembarcaram na ilha em novembro de 1956 apenas 12 sobreviveram e se refugiaram em uma região montanhosa denominada Sierra Maestra, dando inicio assim ao combate aberto de guerrilhas.
Aos poucos a população, sobre tudo a rural, simpatizou-se com a revolução, já que os guerrilheiros agiam de forma diferente ao exército de Batista, estes entravam nas aldeias, roubavam, estupravam e queimavam. Fazendo surgir na população à visão heróica dos guerrilheiros, pois estes tratavam bem os camponeses e esclareciam os objetivos do movimento: acabar com a ditadura, fazer reforma agrária, impor respeito aos americanos em Cuba. Caindo assim nas graças do povo e fazendo-os pegar em armas a favor da revolução.
Depois de alguns anos Fulgêncio Batista, cercado e abandonado pelos Estados Unidos foge e se exila na Republica Dominicana, organizando de lar a contra revolução. Logo depois da passagem de ano novo os guerrilheiros barbudos entraram vitoriosos em Havana. Era a revolução de 59. Começava então a grande transformação.

Reformas ou revolução

O poder estava nas mãos de Fidel Castro e seus companheiros. E eles estavam dispostos a mostrar que queriam mudar mesmo as coisas.Para começar, fizeram uma reforma agrária radical.Todas as terras dos latifundiários foram expropriadas (tomadas pelo governo) e edistribuidas para as famílias camponesas pobres.Com isso, milhares de famílias de grandes proprietários pegaram todo o dinheiro que puderam e fugiram para a Flórida (EUA). Para eles, a revolução estava sendo um castigo.
O governo revolucionário decretou que os aluguéis deveriam ser reduzidos em 50%, os livros escolares e os remédios em 25%. Essas medidas eram justificadas assim: ”Ninguém possui o direito de enriquecer com as necessidades vitais do povo de ter moradia, educação e saúde”.
O governo revolucionário nacionalizou as principais empresas nos EUA localizadas em Cuba, isto é, as propriedades americanas foram tomadas pelo governo e passaram a pertencer ao Estado cubano. Fidel Castro alegava que os empresários estrangeiros ganharam muito dinheiro à custa de Cuba e que, portanto não podiam reclamar de nada.
Mas reclamaram. O governo dos EUA protestou contra Fidel e resolveu dar o troco. No ano de 1961, os EUA simplesmente não compraram nada de Cuba.Acontece que você se lembra de que a economia de Cuba estava totalmente ligada à dos EUA, para onde iam todas as exportações cubanas.Agora que os americanos estabeleciam o bloqueio econômico, Cuba não exportaria quase nada. O país estava a beira da falência! Era o preço que pagava por desafiar o poderoso vizinho!
Naquele momento, surgiu então a ajuda.Os países socialistas ofereceram-se para comprar o açúcar cubano.Mais ainda: pagariam um preço maior do que o oferecido pelo mercado internacional “imperialista”.
A amizade de Cuba com os paises socialistas foi a gota d’água que faltava para transbordar o copo de paciência dos EUA. Agora, viria a paulada.Em 1961, exilados cubanos, armados e treinados pela CIA e apoiados pelo presidente Kennedy, tentaram invadir Cuba pata derrubar Fidel Castro. Foi a Invasão da Baía dos Porcos. Por incrível que parece, saíram derrotados. Os invasores foram mortos ou feitos prisioneiros.Sem dúvida, uma das mais constrangedoras derrotas do presidente Kennedy.
Como resposta imediata, Fidel Castro declarou que iria tornar Cuba um país socialista!
De início, a Revolução de 59 não era socialista. O partido comunista até apoiou a guerrilha vitoriosa, mas Fidel não era comunista ainda.Sua primeira proposta era executar reformas radicais: contra o latifúndio e contra submissão da ilha aos EUA. Mas, para alguns analistas, as pressões norte-americanas empurram Fidel Castro para a URSS.
Em 1961, ele anunciou ao mundo que Cuba tinha se tornado um país socialista, aliado da União Soviética.Todas as principais empresas passaram a pertencer aos Estado. Era o fim dos milionários na ilha. A burguesia cubana e a classe média fugiram em peso para a Flórida, nos EUA. Para eles, Fidel Castro se tornara o inimigo número 1.



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BRUIT, Héctor H. Revoluções na América Latina. São Paulo: Atual, 1988.
PRADO, Maria Ligia. A formação das nações latino-americanas. São Paulo: Atual, 1987.
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